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Prlinpinpin...

Pózinho daqui... Pózinho dali...

Prlinpinpin...

Pózinho daqui... Pózinho dali...

2010

2010 foi uma ano difícil, muito difícil diria mesmo.

Um ano que prometia ser maravilhoso, com o crescimento da família, coisa que desejávamos já havia algum tempo.

Mas logo em Fevereiro, 2010 fez-se anunciar bastante complicado. A gravidez que desde o inicio se fez de sobressaltos, teve neste mês o seu pico de ansiedade, medo, revolta, e nervos (muitos).

No dia 19 de Fevereiro, dia do 4º aniversário do Kiko, fomos fazer a eco do 3º trimestre e tudo estremeceu!

Seguiram-se, 2 meses de seguimento médico apertado, ecografias semanais, choro diário, medo, ansiedade, positivismo/descrença, sentimentos mistos e variados, num autentico carrossel emocional.

Durante este tempo, preparei o Kiko para o facto de a mãe e o mano terem de ficar algum tempo no hospital, a tratar do doi-doi do mano. Durante toda a gravidez o Kiko foi maravilhoso, sempre muito preocupado com o mano, eu quase não me podia mexer, que ele já me dizia:- tem cuidado mãe, podes magoar o mano! Ihihih!

Este problema, apesar de nós tentarmos ao máximo estar tranquilos ao pé dele e transmitir-lhe confiança, acabou por afecta-lo também, por vezes, dizia que sentia vontade de chorar e não sabia porquê. Mas apesar disso sabia que ele conseguia perceber que o mano tinha doi-doi, mas ia ficar bem.

Até que na madrugada de 16 de Abril, após 18 horas de trabalho de parto, vivido na incerteza de como nasceria o nosso bebé, e já com a sentença de que seria levado o quanto antes para a neonatologia e de lá sairia apenas depois da operação, ouvi o melhor som do mundo: O Choro do David,que de tão forte, que tive a certeza, logo ali, que só podia estar bem! E estava; depois de uma rigorosa observação médica, a Neonatologia colocou-o de novo junto a mim, porque estava bem, tinha nascido assintomático e poderia ficar comigo, apesar de com alguns cuidados extra e de daí a poucas horas ter de começar a realizar alguns exames.

Era tudo o que eu queria ouvir naquele momento.

Dois dias depois, regressamos a casa, e vivemos os 6 meses seguintes, sempre muito alerta para qualquer sintoma ou complicação, sempre tentando que o David estivesse estável para que a cirurgia pudesse ser só aos 6 meses, que seria o ideal (já mais forte para as drogas necessárias e ainda com a capacidade de regeneração do órgão, que mais tarde perde-se), e assim foi, foi operado 3 dias depois de ter completado 6 meses.

No mês que antecedeu foi terrível, do ponto de vista psicológico. Dizia para mim que tudo iria correr bem, mas só pensava nos riscos envolvidos, e se acontecesse isto, ou acontecesse aquilo brrrrrrr, se houvesse um botão para desligar o cérebro era tão bom!

Chegou o dia, e os nervos apertaram. Estávamos internados desde o dia anterior para fazer os últimos exames e analises; Eram cerca das 8.45 da manhã quando entrei no bloco com o David ao colo e o entreguei aos anestesistas a enfermeira, que em jeito de descontracção faziam picardias uns com os outros, para verem quem o levava ao colo.

Esperamos, esperamos, esperamos (nestas altura o tempo parece estático), uma das cirurgiãs que já conhecia, de vez em quando ia ao bloco para nos trazer notícias.

Acabou! Acabou a cirurgia, mãe e pai, podem vir ao meu gabinete - Drª  M.

Fomos e ficamos a saber que o "bicho mau" era maior do que se pensava, mas tudo correu muito, muito bem, apesar de ser uma cirurgia bastante delicada por ter o coração a bater encostado ás mãos (segundo a cirurgiã) e ter de se agir na pausa de cada batida, não houve nenhuma complicação.

UFFFFFFFF, alivio!

Ainda tivemos de esperar mais 2 horas par o ver, pois esperávamos que o extubassem do ventilador.

Quando finalmente chegaram a médica e a enfermeira responsáveis por ele na uciped (unidade de cuidados intensivos pediátricos), lá vimos e acompanhamos o nosso bebé na transferência até a referida uciped. Ao chegar ao pé do David tive, aquela que foi sem duvida, a pior visão da minha vida, o  meu filhote tinha tubos e maquinas por todo o lado, estava completamente sedado e ainda assim gemia muito.

Esta visão bem como outras do mesmo calibre vividas nestes dias, têm me atormentado bastante, aparecendo em flash, assim do nada. É terrível!

Adiante. Nesse dia 1º dia na uciped, o David estava irreconhecível, um olhar sem expressão, um gemido constante, nada o sossegava, tudo apitava...

A minha alma estava desfeita...

Não aguentei, não conseguia mais vê-lo assim, e a conselho do pessoal médico e visto o David estar sedado, vim a casa dormir, ficando o Gil no meu lugar...

No dia seguinte, ao chegar, soube que a noite tinha sido bastante complicada, mas que o nosso bebé estava a começar a sossegar, pois tinham aumentado a dose de morfina. Nessa mesma noite a cirurgiã voltou lá pedir e ver um RX, que teve a tão pouco horas de pós cirurgia excelentes resultados! Lá passamos mais um dia os dois na beira da cama do nosso pequenino, rodeados que enfermeiras e médicos que nada deixam escapar aos meninos lá internados (cada caso pior que o outro, nós sabíamos que o pior tinha passado, mas aqueles pais ainda tinham muito mais a penar com os seus filhotes).

A 2ª noite na uciped foi consideravelmente melhor, fiquei lá, dormitando quando conseguia, porque ali não há dia e noite, o correpio é constante. Nesta mesma noite o David começou a receber leitinho do meu pela sonda, aos poucos, 20ml em 2 horas, sim, não me enganei, 20ml.

Na manha seguinte tentou-se desligar o oxigénio, que foi mais uma etapa passada com sucesso. As coisas estavam a começar a encaminhar-se.

Esteve bem, e baixaram um pouco a morfina, ele aguentou-se,  e como teve os sinais vitais e tudo o resto sempre estáveis ao fazer 48 horas nos intensivos, pode subir para a enfermaria, ainda ligado á morfina, ao oximetro ao soro, com a sonda de alimentação e com os drenos, mas já sem a sonda de oxigénio e nem os restante fios que mediam os ciclos respiratórios, tensões ritmo cardíaco e etc...

Ja mais acordado, o David mostrava-se bastante irritado comigo, coisa que ainda me partia mais o coração.

Todas as manipulações eram bastante complicadas, banho, troca de fralda, procedimentos de enfermagem, devido as dores que os drenos provocavam. Cada dreno estava "enfiado" cerca de 5 cm dentro da caixa torácica.

Mas a cada dia que passava o David mostrava a força que tinha e ao fim de 7 dias de internamento e 2 dias antes do previsto, teve alta e podemos regressar a casa com a indicação de voltar dentro de 2 dias!

UFFFFFF 

Estávamos de volta a casa, matei as saudades do meu Kiko que conseguiu a espectacular proeza de partir a cabeça durante o internamento do mano, e que saudades tinha!!!

Nessa noite, quando me fui deitar, tive uma estranha mas óptima sensação, pela 1ª vez em muitos meses ia deitar-me leve, sem moer preocupações, sem virar-me vezes sem conta para adormecer, sem chorar baixinho, simplesmente deitei-me e adormeci.

A recuperação do David tem sido óptima, so nos resta dar tempo ao tempo e deixar que o pulmão faça o seu trabalho e se regenere.

Hoje, sou muito mais feliz que alguma vez fui. A minha relação com o Gil, se já era boa, agora ficou mais ainda. A minha visão da vida e dos problemas mudou radicalmente. o que dantes me parecia um problema do tamanho do mundo, agora não tem importância. E o que realmente me importa, é vê-los crescer saudáveis, fortes a ganharem asas e a caírem e voltarem a levantar-se e a sujar-se e a aprenderem e a rirem e a apaixonarem-se e a brincarem e a viverem muitooooo!!!

Quero é viver cada dia, com a importância que ele merece, porque o amanhã não existe e o ontem já passou!

Este ano, que foi talvez dos mais difíceis da minha vida, foi um dos que me ensinou mais...

(este post, foi feito em jeito de terapia, para me consegui exprimir, sobre o que se passou, porque como "elas não matam mas moem" estou com um bloqueio emocional, mas que em breve também fará parte do passado)

 

2 comentários

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    Magali por aí 09.01.2011

    É verdade, o pior já passou, agora é tempo de lamber as feridas.
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